terça-feira, 1 de julho de 2008

Médico denuncia facilitismo em usar IVG como método contraceptivo

fonte RR (27-06-2008 7:55)

A interrupção voluntária da gravidez está a ser usada como método contraceptivo. A acusação é do director do serviço de obstetrícia do Hospital de Guimarães.



O médico diz que em menos de um ano já foram realizadas 190 interrupções voluntárias de gravidez (IVG) no hospital.

Em 30% dos casos, as mulheres não voltam para a consulta de revisão, o que para José Furtado é prova do facilitismo criado, havendo mesmo situações de interrupções sucessivas.

Casos pontuais, mas que revelam a atitude negligente das mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez. Para José Furtado, dado preocupante que revela também falhas do Estado. “Acho que não é numa sociedade responsável, onde se penaliza tudo o que é negligente, e não se é capaz prevenir estas situação. As instâncias de saúde não são capazes de sensibilizar as mulheres para a contracepção e não arranjam mecanismo paralelos para facilitar uma contracepção adequada”.

Apesar das cerca de 13 mil interrupções voluntárias da gravidez já realizadas serem inferiores às 20 mil estimadas pelo Governo, José Furtado considera o número preocupante.

Reacções à acusação

Confrontada com esta realidade, a ministra da Saúde com Ana Jorge declinou comentar* esta denuncia.

O coordenador nacional do programa de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, admite a existência de casos pontuais de repetição de abortos e lembra que a lei não estabelece limites ao número de interrupções de gravidez. “Julgo que é uma situação que pode acontecer nos hospitais, mas ao ponto de não criar nenhum alarmismo. Há situações em que a vida das pessoas é de tal foram desestruturada que isso pode acontecer. Mas, mais vale que isso ocorra num hospital público de uma foram segura, doe que recorram a um local ilegal”.

É um balanço provisório do número de IVG no espaço de um ano em Portugal, mas Jorge Branco admite que em Portugal entre 11 a 12 mil mulheres já praticaram abortos nos termos da lei.

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* "declinar comentar" não significa necessariamente "declinar penalizar". Estaremos atentos!

Porquê?

Os médicos ou demais profissionais de saúde que
invoquem a objecção de consciência relativamente a
qualquer dos actos respeitantes à interrupção voluntária
da gravidez não podem participar na consulta prevista
na alínea b) do n.o 4 do artigo 142.o do Código Penal
ou no acompanhamento das mulheres grávidas a que
haja lugar durante o período de reflexão.

(citação daqui)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ressonâncias da 1ª velada em Guimarães

GUIÃO DA 1ª “Velada pela Vida” em Guimarães, 25.06.2008 (formato PDF)
clicar aqui


Movimentos pró-vida concentram-se esta noite frente ao Hospital de Guimarães.


A “Velada pela Vida” foi marcada por SMS ou e-mail através de uma mensagem onde se pedia aos que são solidários com a causa da vida que se juntassem junto ao hospital que consideram ser um motivo de preocupação pelo número de abortos realizados.

Em seis meses foram realizados 134 abortos.


Luís Botelho Ribeiro, que dá a cara pela realização da vigília, diz que este momento de meditação serve para alertar consciências.

“O que falta é consciência da dignidade da vida”, disse.

CC

RUM - Rádio Universitária do Minho


Aborto: Movimentos "pró vida" convocam concentração em frente ao ...

terça-feira, 24 de junho de 2008

«Velada pela Vida» em Guimarães e Lisboa, 25.06.08 pelas 21h30

Pelas 21h30

Em Lisboa:
Frente à Clínica dos Arcos, R. Mãe de Água, nº 15A

Em Guimarães:
Frente ao Hospital de N. Srª da Oliveira

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O VALOR INCOMPARÁVEL DA PESSOA HUMANA”

(Evangelium vitae, 2)

“O homem é chamado a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da sua vida terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus.

A sublimidade desta vocação sobrenatural revela a grandeza e o valor precioso da vida humana, inclusive já na sua fase temporal. Com efeito, a vida temporal é condição básica, momento inicial e parte integrante do processo global e unitário da existência humana: processo que, para além de toda a expectativa e merecimento, fica iluminado pela promessa e renovado pelo Dom da vida divina, que alcançará a sua plena realização na eternidade (cf. 1 Jo 3, 1-2). Ao mesmo tempo, porém, o próprio chamamento sobrenatural sublinha a relatividade sagrada que nos é confiada para a guardarmos com sentido de responsabilidade e levarmos à perfeição no amor pelo Dom de nós mesmos a Deus e aos irmãos.

De modo particular, devem defender e promover este direito os crentes em Cristo, conscientes daquela verdade maravilhosa, recordada pelo Concílio Vaticano II: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus uniu-Se de certo modo a cada homem» (Redemptor hominis 10). De facto, neste acontecimento da salvação, revela-se à humanidade não só o amor infinito de Deus que «amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu filho único» (Jo 3, 16), mas também o valor incomparável de cada pessoa humana. ...”

domingo, 22 de junho de 2008

Agora também no Brasil - protecção constitucional da Vida Humana faz caminho

Concordando com a tese do PPV que vimos defendendo desde o início (pág. 15), oxalá possa o Brasil colocar brevemente em prática este ponto de clarificação da constituição
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Brazilian Pro-Lifers Seek to Amend Constitution to Protect Life "From the Moment of Conception"

By Matthew Cullinan Hoffman

BRASILIA, April 11, 2008 (LifeSiteNews.com) - In the wake of the recent Supreme Court decision to legalize deadly embryonic stem cell research, pro-life forces in the Brazilian National Congress are seeking to amend the Constitution to clarify its protection of all human life, from conception to natural death.

Miguel Martini, a representative in Brazil's Chamber of Deputies, is the author of the amendment, which will add the words "from conception" to the already existing guarantee of "the inviolability of the right to life" in Article 5.

"If the Constitution says that, the Supreme Court's decision will be overridden," Martini told Correio Braziliense. "One can't trade a life for a cure."

Martini is referring to the claim made by advocates of embryonic stem cell research that cures for a variety of diseases may be created through the destruction of human embryos. In addition to the moral objection against killing an innocent human life, opponents of embryonic stem cell research observe that not a single approved cure has resulted from it to date, while adult stem cell research (which does not destroy human life) has resulted in over 70 approved cures.

Under the Constitution of Brazil, an amendment can be proposed by one-third of the members of the Chamber of Deputies (lower legislative house) or the Senate, and must be approved by two-fifths of both houses to become law.

Although the nation's Supreme Court has at least a marginal anti-life majority, the Congress has recently shown more pro-life tendencies, which reflects the strongly pro-life sentiment of the Brazilian public. A recent vote in the Chamber of Deputies' Social Security and Family Committee unanimously killed an abortion decriminalization bill that had been in process since 1991 (see LifeSiteNews coverage at http://www.lifesitenews.com/ldn/2008/may/08050809.html).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Veladas Pela Vida - 25 Junho 21h30


Em Lisboa
R. Mãe de Água, nº 15A

Em Guimarães
Frente ao Hospital de N. Srª da Oliveira

Portugal desmoralizado

do cidadaniaPT

Sim, [...] Portugal perdeu... mas não ontem! Tem vindo a perder a Paz de espírito, a tranquilidade de consciência e um certo "estar-de-bem-consigo" que nos vinha ajudando a transcender-nos nos últimos anos, muito fruto de um sentimento de grande união nacional (salvo seja). Por que razão, não se viram desta vez tantas bandeiras nas janelas? Por que não se respirava um ar de tanto optimismo como das passadas duas vezes?

Pode-se alegar que, em 2004, o campeonato era cá e o enorme esforço do país na organização tinha o seu escape naquele mês dos jogos... Certo. Mas em 2006 não foi cá... e também o entusiasmo foi bastante maior que agora, parece-me. Que aconteceu então? Será que a situação económica está muito pior do que então? César das Neves em artigo recente chama a atenção para alguns indicadores que desmentem uma degradação real e generalizada da economia portuguesa, apesar de um evidente "afundamento" da classe média.

[...] Portugal vive estes dias, este último ano, como a selecção parece jogar: de consciência pesada, com a angústia e intranquilidade de quem anda de mal com a Vida, de mal consigo mesmo. E quem assim anda, não consegue... o que empreende, as pequenas ou grandes coisas que se propõe realizar competindo com outros. Pode-se dizer que há países e povos que conseguem render quase o mesmo nessas condições. É verdade para outros, mas não para nós. Nós somos aqueles aos quais "o fraco Rei, faz fraca a forte gente".

Nós somos aqueles cujo "Rei" - desde 2005 - o que quer para Portugal é um país cada vez mais envelhecido, com menos crianças, com menos "famílias tradicionais" a empatar-lhes os planos "progressistas" de mais e mais abortos, mais e mais laicismo de Estado, mais e mais divórcio simplex, casamentos homo, menos padres nos hospitais, menos religião, menos santos e nenhuns crucifixos na escola pública, menos "moral" nos currículos. E quando toda a sanha do poder está em retirar a moral ao povo, não é surpresa que este... desmoralize!

Desde há um ano que Portugal vive uma situação de surda "guerra civil", como a de 1832, com portugueses a matar portugueses... covardemente nas clínicas do aborto e até nos hospitais públicos. Desde há um ano que o Estado porfia em atacar a consciência ética dos médicos e enfermeiros, pressionando de forma inaceitável os códigos deontológicos das respectivas ordens profissionais. Desde há um ano que a palavra "imposto" tem uma componente de sangue que Portugal não experimentava dolorosamente na sua consciência ensanguentada, desde a guerra colonial. Hoje pagamos impostos - sem alternativa possível - sabendo que esse dinheiro é usado para liquidar irmãos nossos de dez semanas, se calhar até de mais... Para liquidar o nosso futuro, portanto.

E querem que nos unamos em torno da selecção, se alguém nos pôs já - e da forma mais violenta - "portugueses contra portugueses"? Querem que na euforia duma campanha futebolista, entretanto interrompida sem glória e sem grande brilho, esqueçamos a campanha de mentiras que nos impingiram para fazer passar a outra "interrupção", que não é interrupção nenhuma? E se dessem a referendar aos portugueses uma "interrupção das participações nos campeonatos de futebol" que... significasse afinal não participar em mais nenhum? Mas não, no futebol a interrupção do "sonho português" de ontem significa uma nova oportunidade já em Setembro, com o arranque da qualificação para o "mundial". Nos referendos à "vida humana", pelo contrário, todos os eufemismos são permitidos - e uma "interrupção" ou até um "tratamento voluntário da gravidez" (como anunciam impunemente as páginas de alguns jornais sem Valores) significa "acabou-se", "morreu", "tudo está consumado".

Mais profundamente do que a "crise dos combustíveis" ou o "afundamento da classe média", é esta "guerra civil" que está a matar Portugal, a esvaziar-lhe as creches e infantários por todo o lado e a encher-lhe a selecção e os "quadros de pessoal" de (benvinda) gente nascida em outras terras... e de que precisamos por conscientemente deixarmos secar a nossa terra e saquear o nosso mar.

Mas se tanto mal nos pode chegar pela porta mal-guardada dum "fraco Rei", anime-nos essoutra esperança de que por um "forte Rei" o nobre povo se possa reencontrar consigo mesmo, nação valente e imortal(?). A "nova Águia" tem-se feito voz dessa promessa renovada em silêncio à mesa das casas portuguesas durante os sessenta anos dos Filipes ou "a catástrofe" com Junot. A promessa de que, qual Tigre da Malásia...
... Portugal não morreu. Portugal não morrerá!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A VERGONHA DA AUTÊNTICA CRISE SOCIAL

por João César das Neves

Portugal vive grave crise social. Toda a gente sabe isto. Os jornais repetem diariamente os contornos do drama, sucedem-se manifestações e protestos, a oposição orienta nesse sentido as críticas crescentes. Ninguém tem dúvidas de que, em vez das prometidas recuperação e prosperidade, caímos em séria perturbação económica. Mas o que está mesmo a acontecer de novo? Quais os factos concretos que sustentam este clima depressivo? Onde está a tão propalada crise social?

Quem pretender responder séria e serenamente a estas questões encontra obstáculos inesperados. A economia não está em recessão, nem sequer próxima; o crescimento económico abrandou ligeiramente do nível baixo que tem há anos. O desemprego não subiu, nem se prevê que venha a subir muito para lá do nível alto em que permanece há bastante tempo. Mesmo nos preços, em que os rumores dos mercados do petróleo e alimentos prometem terríveis desenvolvimentos, as mudanças são mínimas: a inflação acelerou, mas para níveis aceitáveis e, apesar dos esforços jornalísticos, nunca mais se dá um efeito sério que justifique tanto barulho. De facto, o cenário económico que as instituições respeitáveis traçam para o futuro próximo do nosso país não é catastrófico. Pelo contrário, parece copiado da situação que vivemos há algum tempo.

Nos indicadores sociais, pobreza e desigualdade, o quadro disponível ainda se refere apenas a 2006. Devido à superior complexidade do fenómeno, os números andam atrasados e ninguém arrisca previsões seguras. Mas também aí a situação parece ser de continuidade. A taxa de pobreza em Portugal, calculada segundo as regras da UE, há dez anos que flutua à volta de 20% da população. O último valor publicado, de 2006, até registou uma descida para 18%. Os desenvolvimentos posteriores assinalam uma redução, não um aumento da indigência. Os pobres não têm automóvel e não são muito afectados pelo preço do petróleo. Além disso os empregos não especializados têm grande procura e falta de candidatos. Como entretanto a imigração abrandou e a emigração aumentou, é provável que a referida tendência de redução dos pobres continue após 2006.

Na desigualdade de rendimentos passa-se um fenómeno paralelo, com a situação estável há mais de uma década. Os jornais dão grande impacto à notícia de que somos um dos países da Europa com maior disparidade. Isso é verdade, e é há muito tempo. E nem sequer diz grande coisa, dado que estamos a comparar-nos com os países de menor desigualdade do mundo. É verdade que o fosso entre ricos e pobres subiu entre nós face ao que tínhamos antes da democracia. Isso seria sempre inevitável, devido ao desenvolvimento, agora agravado pela globalização. O problema merece atenção cuidada, mas está longe de ser a prioridade aflitiva que os propósitos mediáticos afirmam.

Quer tudo isto dizer que não temos uma crise social? Não. Quer dizer que a crise que sofremos é bastante mais subtil e complexa do que as abordagens comuns asseguram. Existem muitos sinais, não de um agravamento do fundo da escala social, mas de sérias dificuldades nos extractos imediatamente acima. A nossa crise social está na classe média.

Uma parte importante da população portuguesa, que tinha algumas posses e muitas ambições, acreditou nos discursos que os governantes andam a produzir há dez anos. Apostou na educação, comprou casa e carro, endividou-se ao banco. Depois veio o desemprego, doença, trabalho precário, prestações crescentes. Em vez de subir, caiu em grandes dificuldades. Normalmente ainda tem património, a casa hipotecada, carro velho, mas não sabe o que porá no prato esta noite. É uma pobreza envergonhada, desiludida, revoltada. Este é o verdadeiro rosto da nossa crise social.

As políticas contra a pobreza não vão aliviar as dificuldades. Como os responsáveis, que criaram a situação, ainda não a perceberam, conceberão medidas complexas, mas ao lado dos sofrimentos. Alvoroçados, não pelo problema, mas pelo ataque político, proporão programas que calem os críticos, sem resolver o drama.


João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

sexta-feira, 13 de junho de 2008

«Veladas pela Vida» em Guimarães

As "Veladas pela Vida" consistem em momentos de oração do terço diante de locais onde se praticam abortos pelas 21h00 do dia 25 de cada mês. A iniciativa arrancou no passado dia 25 de Maio em Lisboa com a participação de largas dezenas de pessoas. Guimarães associa-se agora a este movimento que visa reafirmar que o aborto não é solução e relembrar à sociedade portuguesa que o aborto faz vítimas inocentes.

Estas vítimas, porém, não são abandonadas ou esquecidas por todos. Rezaremos por elas da mesma forma que dezenas de voluntários estão a falar com as mulheres que se dirigem às clínicas abortistas, tendo já conseguido salvar pelo menos DUAS VIDAS!

Esta primeira "Velada pela Vida" decorrerá frente ao Hospital de N. S.rª da Oliveira no próximo dia 25 de Junho, pelas 21h30, ao mesmo tempo que outros o fazem em Lisboa frente à "Cínica dos Arcos". Tragam um terço e uma vela com copo. Passem palavra a quantos estejam solidários com a Causa da Vida, a sacerdotes e leigos, a grupos de jovens e outros movimentos de Igreja.


Cartaz da primeira noite de oração realizada em Lisboa no mês de Maio

quinta-feira, 12 de junho de 2008

COMUNICADO

Na sequência de algum mal-entendido gerado por declarações do seu representante em Guimarães (ver anexo 1), o Sr. Luís Paiva, vem o movimento Portugal pro Vida solidarizar-se com aquele seu porta-voz e apoiar integralmente as suas declarações às rádios vimaranenses Fundação e Santiago. É verdade que entre os promotores do movimento há colaboradores e mandatários do "Minho com Vida" (MCV) que, sem qualquer retribuição ou um simples agradecimento do seu ex-coordenador, Prof. Fernando Almeida, deram o melhor do seu esforço e entusiasmo em diversas secções daquele movimento constituído no Minho para defender o "não" no referendo ao aborto. Que esta informação seja dada, a par de outras, para enquadrar a génese do movimento Portugal Pro Vida parece-nos absolutamente natural e tão justificável como a que consta do site da "Associação In Famílias" (anexo 2), liderada pela mesma personalidade a qual, possivelmente sem escutar atentamente aquelas declarações, entendeu dever criticá-las e até demarcar-se de um movimento com o qual nunca teve qualquer relação, como aliás resultava claro da citada entrevista. Se pudesse ser considerado minimamente abusiva a menção do movimento PPV - Guimarães ao MCV, com uma simples referência (como foi o caso) ao trabalho aí desenvolvido por elementos seus, então também seria abusiva a referência que consta do site oficial da In Familias, o que manifestamente não é o caso.

O PPV considera meritórias as boas intenções que presidiram à criação da Associação In Famílias, a quem saúdam pelo primeiro ano de trabalhos concluído em Maio, mas entende que é necessária uma intervenção de mais cidadãos inspirados pela Doutrina Social da Igreja no terreno da politica. O facto de algumas pessoas do MCV terem optado por um tipo de intervenção cívica diverso da In Famílias é igualmente respeitável e de modo nenhum pode considerar-se abusiva a breve menção feita ao Minho com Vida, nos justos termos em que foi feita pelo nosso responsável em Guimarães, o Sr. Luís Paiva, um dos mais denodados e eficientes elementos do Minho com Vida em Guimarães, como poderá confirmar o presidente daquela secção.


Comissão Instaladora Nacional

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Anexo 1
http://www.radiofundacao.net/index.php?option=com_content&view=article&id=245:minho-com-vida-demarca-se-de-novo-movimento-politico&catid=45:sociedade&Itemid=65

«O ex-coordenador do Minho Com Vida, movimento formado durante a campanha para o referendo ao aborto, veio demarcar-se do movimento que esta semana anunciou estar a preparar-se para se constituir num partido político.

Fernando Almeida considera que Luís Paiva, responsável pelo núcleo de Guimarães, usou “abusivamente” o nome do movimento contra o aborto, quando referiu, em declarações à Rádio Fundação, que a iniciativa partiu de elementos que integraram o movimento “Minho Com vida”. [...] »


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Anexo 2

http://www.infamilia.org/info.php

«Como surgiu a In Familia?

A Associação surgiu a partir da união de esforços de vários colaboradores do Movimento Cívico "Minho com Vida” que, após o referendo da liberalização do aborto, a 11 de Fevereiro de 2007, sentiram a necessidade de prosseguir o trabalho desenvolvido, aquando da realização da consulta popular. [...] »

Irlanda, combustíveis, Velada pela Vida, RCP 12.06

  • O caso recente do bebé que “ressuscitou” (vd. Blogue portugalprovida) ou o caso de morte cerebral que recuperou para uma vida normal impõem-nos uma revisão dos critérios médico-legais da Vida. Talvez a questão utilitarista (e por vezes monetarista) do transplante de órgãos deva ceder lugar ao primado do Direito à Vida do doador... antes de o ser. É que em tudo isto exerce uma obscura mas poderosa pressão o factor económico. Levantou-se essa questão aquando do assassinato da religiosa que em Moçambique mais activamente denunciava os “caçadores de órgãos” a soldo de grandes clínicas europeias e americanas... O que mudou?

  • a “Velada pela Vida” de 25 de Junho pelas 21h30 frente ao Hospital de N.S. Da Oliveira em Guimarães. Afinal parece que nem todos se esqueceram de que o aborto faz vítimas – os bebés e as mães, e a sociedade e o Estado têm de encontrar outras respostas – que não o aborto - para as dificuldades reais sentidas pelas mães, pelas famílias.

  • Crise dos combustíveis: estamos a entrar no "cada um por si"... camionistas, pescadores o que reivindicam é isenções e atenções... para si. Cada um tenta desenrascar-se como pode, salvar-se a si e deixar o “regime geral” pagar a crise. Antes pintavam-se os muros a exigir aos ricos que pagassem a crise... Agora, sem sujar os muros (e nesse sentido vamos melhor), exige-se isso mesmo ao contribuinte... Então e os professores, escolas de condução, advogados, vendedores ambulantes, pequenos distribuidores, comerciantes, tantos e tantos profissionais que também dependem dos transportes para trabalhar? Também vão ter ISP reduzido? Ou há moralidade ou "comem" todos... Também pode acontecer que estes (seguramente a imensa maioria) optem por acatar serenamente o que o governo decida agora e... prefiram manifestar-se mais tarde no momento das eleições! Vamos mal quando, em vez de enfrentarmos juntos as dificuldades entramos no “cada um por si” - e já começámos há algum tempo: O “cada um por si” de algumas mães que abortam os filhos como quem bebe um copo de água (algumas já vão no terceiro e quarto aborto legal – e a lei ainda mal fez um ano...; o “cada um por si” dos políticos que reclamam para si privilégios e reformas escandalosas; o “cada um por si” das grandes superfícies que à volta secam o comércio tradicional; o “cada um por si” dos sindicatos dos que têm emprego e esquecem que certas exigências que fazem são pão para os seus e fome para os outros (para os desempregados) – para quando os sindicatos de desempregados? Já há o FERVE para os “recibos verdes”. Pode ser um começo, quando este se sentar à mesa da concertação social...

  • Os Irlandeses estão neste mesmo dia a referendar o Tratado de Lisboa. A sociedade está dividida sobre o tema. Registamos o quase silêncio da imprensa portuguesa sobre o assunto até hoje e perguntamo-nos se tal será inocente. É bom ver que em pelo menos um país os políticos não se atreveram a passar por cima dos cidadãos, prescindindo de os atender como aconteceu em Portugal. Interessante será acompanhar o que sucederá se o povo irlandês vier, escandalosamente, a contrariar a expectativa e a pressão de Bruxelas. Se o princípio democrático vale de facto alguma coisa, também seria interessante analisar a que ponto a comissão europeia se manteve perfeitamente neutra e isenta neste processo. Instâncias que volta e meio multam os governos se calhar também mereciam às vezes que lhes aplicassem multas. Depois de um longo processo de formação de opinião, parece que os irlandeses inicialmente inclinados para aprovar o tratado (como aqui já referimos) agora pendem para o NÃO. Se tal se confirmar (e amanhã o saberemos) essa será a melhor lição que os cidadãos algumas vez deram ao directório de Bruxelas, que mesmo depois do não da França e Holanda à primeira forma do tratado (constituição europeia), insistem em pôr as coisas segundo os seus termos e não segundo os termos dos cidadãos. Uma honra para Portugal onde vive o herdeiro da dinastia real irlandesa – os O'Neill que à cultura portuguesa deram já um grande poeta, Alexandre O'Neill, e ironicamente o famoso poema do “Cherne”, a cuja sombra se cunhou a alcunha do actual senhor Europa. Senhores da Europa, façam o favor de seguir o verdadeiro Cherne, o Cherne de O'Neill e recordem os Princípios - Participação, Subsidiariedade, Verdade e, já agora, Humildade.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Como se distingue um católico em política?

por Giorgio Vittadini* (publicado em il Giornale 06.06.2008)

Prossegue, praticamente sem solução de continuidade, a discussão sobre o papel dos católicos na vida política. Depois das avaliações sobre o seu peso no novo governo, destacados representantes da oposição alertaram muitas vezes para o perigo de que a Igreja se apresente como organização de alguma forma ao serviço do poder. Como frequentemente sucede, o problema é outro, não esquematizável nesta tosca e retrógrada contraposição. A quem está preocupado com a presença – escassa ou excessiva, consoante se encare da direita ou da esquerda – dos católicos no poder recorde-se o que respondeu Luigi Guissani numa entrevista de 1996 a Pierluigi Battista no La Stampa. À pergunta: «O senhor sente-se mais seguro com um cristão no governo?», o sacerdote milanês respondeu: «Não. O problema é a dedicação sincera ao bem comum e uma competência real e adequada. Pode haver um cristão imerso nos problemas eclesiásticos cuja honestidade natural e competência podem deixar dúvidas».

Muitos exemplos nestes sessenta anos de história republicana demonstram-no. A partir dos anos Cinquenta, muitos católicos, paradoxalmente aliados dos que hoje têm medo das intervenções da Igreja, converteram-se nos mais acérrimos defensores, mesmo no período mais recente, dum estatalismo “bom”, na origem de grande parte dos males actuais do nosso país. Mas então, para evitar o risco de um poder como finalidade de si mesmo, será preciso refugiar-se num espiritualismo desencarnado? De preferência, como disse o pontífice na assembleia-geral da CEI, face ao desafio do relativismo e do nihilismo que a todos afecta, são precisos «educadores que saibam ser testemunhas credíveis dos valores e realidades sobre as quais é possível construir quer a existência pessoal quer projectos de vida comuns e compartilhados».

O cristianismo tem uma incidência histórica real quando é vivido não como uma ideologia teórica, mas como uma experiência pessoal em que se olha e se segue a Presença misteriosa e amiga que habita a realidade. Quem vive assim torna-se útil a toda a companhia humana – como o prova a história do nosso país – porque toma consciência do desejo de bem que alberga no seu coração, torna-se capaz de captar as verdadeiras necessidades de qualquer homem, começa a construir obras que são formas de vida nova, sabe exigir à política que salvaguarde a afirmação daqueles valores que tornam mais humana a convivência de todos. E, se faz política, renova-a, com paciência, a partir de dentro, seja qual for a situação de poder em que se encontre ou seja qual for a sua função.



* Presidente da Fundação para a Subsidiariedade.

Bebé inglês sobrevive a aborto

sua mãe agora "não o trocava por nada no mundo"

.- Jodie Percival é uma jovem de 25 anos de idade que tentou abortar o seu filho Finley porque este sofria de uma doença congénita no rim. A jovem apercebeu-se de que o filho não fora eliminado semanas depois ao realizar uma ecografia. A principio teve pena que o aborto tivesse falhado; e estando dentro do prazo legal em Inglaterra para poder fazêr-lo novamente, decidiu enfim conservar o seu bebé.

Thane, o primeiro filho de Jodie Percival, viveu somente durante 20 minutos após o parto prematuro em que nasceu, porque padecía da mesma enfermidade congénita que Finley. O seu segundo filho, Lewis, que ja tem 20 meses, nasceu com o mesmo problema e agora vive com um único rim.

Quando Jodie engravidou pela terceira vez, ela e o seu noivo Billy Crampton decidiram abortá-lo. "Decidir acabar às 8 semanas foi horrível… mas não podia enfrentar a angústia de perder outro bebé", disse Percival ao Daily Mail de Inglaterra.

Tempos depois do aborto, Jodie sentiu movimentos no seu ventre. O seu médico disse-lhe que se faria uma ecografia, perante a qual se verificou que estava com 19 semanas de gravidez. O bebé tinha sobrevivido à prática anti-vida. "Mal podia acreditar. Este era o bebé que eu pensei que já tinha eliminado", comentou àquele jornal inglês.

"De princípio estava indignada com o que se passara, que o procedimento tivesse falhado. Escrevi ao hospital, porque não podia acreditar que me tivessem decepcionado daquela forma. Responderam-me que se tratava de uma situação muito pouco usual".

Uma semana mais tarde, Jodie e o seu noivo souberam que Finley também tinha problemas nos rins, porque ela possui um gene que origina o rim multicístico, uma desordem congénita que produz quistos nesta parte do organismo. Os médicos explicaram aos pais que este menino poderia sobreviver razão pela qual decidiram dar-lhe uma oportunidade e não abortá-lo, estando dentro do prazo legal durante o qual o aborto é permitido em Inglaterra.

Em novembro Finley nasceu três semanas antes do previsto pesando uns três quilos. Tem um problema menor no rim mas segundo os médicos, poderá fazer uma vida normal.

"Mal podía acreditar, depois de tudo por que este menino passou, que agora pareça tão perfeito. Custa-me pensar no que teve de passar. Agora está aqui e não o trocava por nada deste mundo", afirma Jodie.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Futebol e Vida

breve reflexão a propósito do campeonato mundial/europeu de futebol *

Joseph Ratzinger


Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo [e da Europa] de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.

O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.

Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.

Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.

Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.

Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.


Por fim, ensina o respeito mútuo, onde a aceitação de regras por todos respeitadas, faz com que apesar da contenda como adversários, subsista, por fim, aquilo que os une e unifica.


Além disso a liberdade do jogo, quando realizada de forma correcta, transforma a seriedade do jogo contra o adversário em liberdade, logo que o jogo termina. Os espectadores identificam-se com o jogo e com os jogadores, e participam no seu empenho e na sua liberdade, ora apoiando, ora protestando. Assim, os jogadores tornam-se símbolo de suas vidas. Isto reflecte-se nos próprios atletas. Eles sabem que os homens se sentem em si representados e confirmados.

Naturalmente que tudo isto pode ser adulterado por uma mentalidade comercial, que tudo submete ao rigor sombrio do dinheiro. Assim, o desporto deixa de o ser e transforma-se numa indústria, um mundo fictício de dimensões assustadoras. Mas mesmo este mundo fictício não poderia subsistir, se não tivesse um substrato positivo, subjacente ao jogo: o exercício preliminar da vida e a travessia da vida como caminhada em direcção ao paraíso perdido. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma disciplina para a liberdade. Na aceitação de regras da convivência, nos confrontos e no encontro consigo mesmo. Na medida em que reflectimos nisto, tendo o jogo como ponto de partida, talvez possamos aprender de novo a vida. No jogo torna-se claro algo fundamental: o homem não vive só de pão. Na realidade, o mundo do pão não é mais que a antecâmara do que é efectivamente humano, o mundo da liberdade. Mas a liberdade vive de regras, da disciplina que a convivência e a recta oposição, a independência do êxito exterior e da arbitrariedade nos ensina, tornando-nos, assim, verdadeiramente livres.

O Jogo e a vida - se reflectimos em profundidade, o fenómeno do campeonato do mundo de futebol pode ser mais do que uma diversão.

* Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187